
Inserido no exuberante bioma da Mata Atlântica, o Complexo Estuarino de Paranaguá destaca-se como uma das paisagens úmidas (PU) costeiras mais importantes do sul do Brasil. Abrangendo uma área de aproximadamente 3.870 km² no litoral do Paraná, a região envolve o município de Paranaguá — a cidade mais antiga do estado e sede do maior porto graneleiro da América Latina. Além disso, também compreende os municípios de Morretes, Antonina, Guaraqueçaba e Ponta do Paraná, e engloba as Baías de Paranaguá, Antonina, Laranjeiras e Pinheiros.
Essa imensidão territorial não é apenas um polo logístico, mas também o lar de comunidades tradicionais caiçaras, quilombolas e indígenas, que encontram na pesca artesanal e na agricultura de subsistência a base de sua economia, cultura e sobrevivência. Essa área também integra uma reserva maior, que se estende até o litoral paulista, conhecida como Lagamar. Por causa da sua importância socioecológica, essa região foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera.
A estabilidade desse acervo natural enfrenta constante instabilidade. A expansão das operações portuárias e os reflexos da crise climática colocam em risco o território. O Complexo Estuarino de Paranaguá constitui um dos eixos de análise do INCT Wetscape. O propósito central do grupo de investigação na área é catalogar e segmentar esses ecossistemas dinâmicos, afetados pelas intervenções antrópicas e por modificações drásticas na cobertura vegetal que comprometem sua capacidade de recuperação. Por meio da produção de evidências científicas, a iniciativa visa embasar diretrizes de gestão eficientes, respaldar a formulação de metas governamentais imediatas e assegurar a proteção dessa biodiversidade.



