
Localizada na Planície do Bananal, uma extensa unidade geomorfológica formada por sedimentos quaternários que se estende pelos estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins, a Paisagem Úmida do Araguaia (PUAR) é estruturada pelo Rio Araguaia e por uma complexa rede de rios, lagos e canais. A região abrange cerca de 90 mil km² e inclui a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, com aproximadamente 2 milhões de hectares.
A paisagem reúne uma grande diversidade de ambientes e formas de vida, funcionando como corredor ecológico e área de reprodução e abrigo para diferentes espécies, incluindo aves migratórias, peixes e répteis. Localizada em uma zona de transição entre Cerrado e Amazônia, a PUAR apresenta características ecológicas singulares e desempenha funções importantes na regulação dos ciclos da água e na manutenção da biodiversidade.
A dinâmica da paisagem é marcada pela sazonalidade climática e pelos ciclos de inundação, que transformam a distribuição da água e dos habitats ao longo do ano. Essa dinâmica sustenta relações ecológicas e modos de vida de Povos Indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas. A região abriga territórios dos povos Xavante, Karajá, Javaé e Tapirapé, que mantêm relações históricas e socioculturais com o Rio Araguaia e seus afluentes.
A PUAR enfrenta pressões associadas ao desmatamento, à expansão da pecuária e da agricultura, à pesca predatória e à ocorrência de incêndios, especialmente durante períodos de seca intensa. Eventos climáticos extremos podem ampliar esses impactos e comprometer a integridade dos ambientes e sua capacidade de recuperação.
A investigação dessa paisagem busca ampliar a compreensão sobre sua dinâmica ecológica e hidrológica, integrando evidências científicas e saberes tradicionais. O conhecimento produzido pode contribuir para estratégias de conservação, uso sustentável e gestão territorial, além de subsidiar políticas públicas voltadas à proteção de uma das áreas úmidas de maior relevância ecológica e sociocultural do Brasil.



